Artigo sobre Webjornalismo

Inovações tecnológicas, Webjornalismo e fluxos informacionais: entre novas possibilidades e velhos ideais

Por Edson Fernando Dalmonte

Resumo

Aborda a idéia de evolução dos meios de comunicação e situa a relação destes com a sociedade, tendo por parâmetro os questionamentos relativos ao processo de democratização dos meios de comunicação, tomando por referência os termos acesso e participação. Ressalta a importância do pensamento comunicacional Latino-Americano para as discussões acerca da democratização da comunicação. Pontua o discurso social, entre utopia e ideologia, como base para propostas de denúncia e inclusão, o que é exemplificado pela análise de documentos de distintas fases da Unesco. Sinaliza a passagem da Sociedade da Informação para a do Conhecimento. Questiona a Internet como espaço de participação popular.

Palavras-chave: Teorias da comunicação; Webjornalismo; Sociedade
do conhecimento.

Leia artigo completo aqui.

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Internet profetiza o fim do impresso. Será?

Por Franco Adailton – o Francolino

Mais uma vez, com o surgimento – no caso da internet, a popularização – de um novo meio de comunicação, muitos críticos começam a anunciar o fim do jornalismo impresso. Eu duvido.

Primeiro veio a prensa, grande criação do alemão Gutemberg, em meados do século XIV. Antes dele, os homens das cavernas já esboçavam os primeiros traços da comunicação escrita. Seu invento revolucionou o acesso à comunicação de massa, tanto, que era uma ameaça aos detentores do conhecimento, vide a Igreja Católica, que confiscava as prensas e os impressos espalhados Europa afora. Um bom exemplo está no filme ‘O nome da Rosa’, com atuação maravilhosa de Sean Connery.

A necessidade de se enviar mensagens a longas distâncias e com maior rapidez fez com que Samuel Morse e Alfred Vail inventassem, no  início do século XIX, um sistema de comunicação intermitente, que emitisse sinais codificados por letras, números e pontuação, denominado de ‘Código Morse’. Estaria nascendo a internet?

Logo após, um padre brasileiro (sim, um brasileiro), Roberto Landell de Moura, no final do século XIX, ousou inovar o modo de comunicar através de um sistema de radiodifusão, que permitia levar a voz humana por meio de ondas de rádio. Sem patrocínio e quase acusado de bruxaria pela Igreja, o padre viu seu invento ser patenteado pelo homem que todos pensam ser o invertor do rádio, Guglielmo Marconi. Nessa época, boatos diziam que o impresso desapareceria da face da Terra.

Nas três primeiras décadas do século XX, com o surgimento do selênio – material capaz de transformar a energia luminosa em energia elétrica – os cientistas John Baird, do Reino Unido, e o americano Charles Jenkins chegaram ao advento da televisão. Enquanto isso, apocalípticos e integrados discutiam a funcionalidade da “aldeia global”, na Escola de Frankfurt.

No Brasil, a caixa preta somente chegara anos depois, importadas ilegalmente por Assis Chateaubriand, que trouxe 200 unidades para as primeiras transmissões da TV Tupi. À essa altura, diziam que a TV substituira o rádio. O impresso? Ah, coitado! Já estaria morto e enterrado!

Finalmente, a partir de 1939, surgiam os primeiros rascunhos de computadores em Havard. Mas nada dessas maquininhas chamadas Personal Computers ou, em bom português, Computadores Pessoais. Notebook  Palmtop, iPod?  No way. Nem pensar!

Durante a Guerra Fria, por volta de 69, com medo de perder informações sigilosas, hospedadas todas em um único servidor, caso sofresse um bombardeio, o governo norte-americano resolveu criar uma rede de armazenamento de dados que pudesse ser acessada de diversos centros de pesquisas: a ARPAnet (Advanced Research Project Agency) – leia a história da internet.

Atualmente, com a população dos computadores, o Brasil conta com cerca de quase 11 milhões de máquinas vendidas, entre desktops e portáteis, de acordo com o Barômetro Cisco de Banda Larga, um estudo realizado pela Consultoria IDC. Título que confere ao país o quarto mercado mundial em vendas, atrás apenas dos EUA (64 milhões), China (36 milhões), Japão (13 milhões) e Reino Unido (11,2 milhões).

Segundo o Insituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem atualmente 183,9 milhões de habitantes. Desse total, 4,39 milhões lêem jornal diariamente, registrando um crescimento de 8,1% em relação ao primeiro trimestre do ano passado, considerando os índices do Instituto Verificador de Circulação.

No ramo internet, de acordo com a pesquisa IBOPE/NetRatings, em abril passado, 22,4 milhões de pessoas acessaram a internet residencial, um crescimento de 41,3% a mais que o ano passado. Se levados em conta o usuários classificados como domiciliares, os que têm acesso à rede por algum meio, como telecentros em locais públicos, lans houses e estabelecimentos privados, o número sobe para 40 milhões de brasileiros que utilizam a internet ao menos uma vez por mês (veja aqui). Assim, em média, o brasileiro passa 22h24 concetado a internet, deixando para trás Estados Unidos (19h52), França (19h40), Japão (18h29) e Reino Unido (17h46).

Tribo da internet é rica, solteira e instruída, diz pesquisa

Apesar do crescimento do número de usuários de internet, o “Resumo da Audiência de Internet Domiciliar no Brasil e Perfil do Internauta Brasileiro”,  estudo realizado pelo Ibope/NetRatings, à venda nas livrarias, mostra o perfil elitista daqueles que têm acesso à rede. O perfil das pessoas que navegam pela rede mostra que 36% frequentaram a universidade, desses, 62% falam inglês e ganham mais de vinte salários mínimos. As categorias acessadas pelos internautas que mais cresceram foram educação e carreiras (8,3%), governo e entidades sem fins lucrativos (8,0%)e, em último, notícias e informações (6,2%). (veja IBOPE; Comitê Gestor da Internet no Brasil).

Quanto à utilidade do acesso, os sites de comunidades e relacionamento são os mais acessados. O Orkut e Google que o digam, responsáveis por 27 milhões de acesso no Brasil, deixando o país na liderança de visitas em todo o mundo. Seguidos pelos blogs, como o MySpace, e dispositivos de mensagens instantâneas, como MSN Messenger. (leia Carta Capital: O Brasil cai na rede)

No quesito livros, pesquisa encomendada pelo Instituto Pró-Livros e realizada pelo Ibope aponta que o brasileiro lê, em média 4,7 livros por ano. O estudo constatou que 95 milhões de pessoas, ou 55% da população, são considerados leitores, classificados como aqueles que leram, pelo menos, um livro nos últimos três meses. Entre os não-leitores, estão 45% dos entrevistados, o equivalente a 77 milhões de pessoas.

De acordo com a pesquisa, os que mais lêem são os jovens. No entanto, os livros didáticos são os maiores responsáveis em atrair a atenção deles, pela sua quase obrigatoriedade representam um percentual de 3,4 livros. Restando 1,3 obras de leitura espontânea. Talvez os preços dos livros ainda sejam um agravante, apesar dos esforços em democratizá-los, a exemplo dos pocket books, que são vendidos a R$ 10 nas prateleiras dos supermercados e bancas de revistas.

Pois é, minha gente. Como diz minha sábia vó, 82 anos, que só estudou até a 1ª série do ensino fundamental e alfabetizou todos os nove filhos: quem mal lê, mal ouve, mal fala, mal vê! E digo mais: mal escreve. Ainda há quem diga que o jornal vai acabar! Vê se pode?