Renovação na Câmara de Salvador é de quase 50%

Do ATarde Online
Por Patrícia França

A eleição municipal deste ano provocou uma renovação de 46,34% na Câmara Municipal de Salvador, com a não-reeleição de 19 dos 41 vereadores da Casa. Saem de cena veteranos como o presidente do Legislativo Municipal, o vereador Valdenor Cardoso (PTC), derrotado no quinto mandato, e o decano Silvoney Sales (PMDB), que tentava a sexta reeleição. Subirão à tribuna, novatos como Léo Kret, a primeira vereadora dançarina travesti eleita na Bahia, com mais de 12 mil votos, a quarta mais votada em Salvador.

Esta é a maior renovação que se tem notícia no Legislativo da Capital, desde 1982, quando o PMDB, no governo do ex-prefeito Mário Kertész, ocupou 26 das 33 cadeiras da Casa – marcando uma relação total de oposição entre o governo municipal e o estadual, então sob o comando do ex-governador, na época, carlista João Durval Carneiro (PDS). Na eleição municipal de 2004, a renovação na Câmara Municipal de Salvador foi de cerca de 43%.

FORÇAS – Desta vez, a correlação de forças na Câmara coloca o PMDB e o PT – que irão se confrontar no próximo dia 26, no segundo turno da disputa pela Prefeitura de Salvador – como os partidos que elegeram o maior número de vereadores, cada um com seis.

A coligação que apóia a candidatura à reeleição do prefeito João Henrique Carneiro (PMDB), porém, conseguiu eleger 17 vereadores e se coloca com vantagem, em princípio, em relação ao petista Walter Pinheiro. A bancada de vereadores formada pelo PT, PCdoB, PSB e PPS elegeu 10 vereadores. A composição das bancadas certamente mudará, em função das alianças que deverão ocorrer com PSDB e DEM neste segundo turno do processo eleitoral.

Não conseguiram renovar o mandato os vereadores Atanázio Júlio (PMDB), Ariane Carla (PTB), Beto Gaban (PRP), Reginaldo Oliveira (PC do B), Cristóvão Oliveira (PDT), Eudorico Alves (PRP), Bomba (PRP), Silvoney Salles (PMDB), Décio Santana (PSDB), Valdenor Cardoso (PTC), José Carlos Fernandes (PSDB), Antônio Lima (DEM), Virgílio Pacheco (PPS), Celso Cotrim (PSB), Batista Neves (PMDB), Jairo Dória (PMDB), Everaldo Augusto (PCdoB) e Marlene Souza (PTN). O vereador Agenor Gordilho (DEM) desistiu de disputar a reeleição. Continue lendo

Eleições 2008, Salvador: Os dez vereadores mais votados da capital

Do ATarde Online
Por Fernanda Santa Rosa

Dentre os dez vereadores mais votados para a Câmara Municipal de Salvador, com 99% das urnas apuradas, mais da metade é de nomes já conhecidos dos soteropolitanos. Seis já ocupam cadeiras no Legislativo Municipal, como Alan Sanches, do PMDB, o número um nas urnas, com o total de 15.207 votos, o que representa 01,17% dos votos válidos.

Alan Sanches, 37 anos e pai de três filhos, disputou sua primeira eleição em 2004 sendo eleito com 7.427 votos. O segundo e terceiro com maior número de votos também são atuais vereadores. Respectivamente, Sidelvan Nóbrega, 42 anos e o radialista e pastor evangélico Isnard Araújo (PR), de 46 anos. O primeiro abocanhou 13.915 votos, ficando com 1,07% dos votos válidos e o segundo, faturou 13.887 votos, 1,07% dos válidos.

Surpresa – Uma das grandes surpresas das eleições municipais 2008 ficou por conta da aprovação da dançarina de pagode Léo Kret (DEM), a primeira vereadora travesti da Bahia, aprovada em 4º lugar, com 12.861 votos e 0,99% dos votos válidos. “Represento o povo, os artistas e os jovens”, declarou a recém-eleita vereadora. Uma mulher ocupou o quinto lugar entre os mais votados (12.551 votos). Tia Eron (DEM), 32 anos, que tem forte apelo entre os eleitores evangélicos, segue para o seu terceiro mandato consecutivo. Viúva, mãe de dois filhos, Tia Eron não se mostrou surpresa com o resultado.

“Nada resiste ao trabalho, mas liderar é difícil sem ter o governo do Estado ou a prefeitura ao lado”, afirmou, ao ser informada do número de votos. Tia Eron ganhou popularidade pelo seu trabalho à frente da Escola Bíblica Infantil. Em 2000, assumiu o primeiro mandato como a vereadora mais bem votada do PFL.

O resultado, entretanto, não é definitivo porque depende do cálculo da proporcionalidade, levando em consideração a quantidade de votos que recebeu o partido e o número de votos de cada candidato. Os outros cinco candidatos mais votados foram Alfredo Mangueira (PMDB), Carballal (PT), Andrea Mendonça (DEM), David Rios (PTB) e Adriano Meireles (PSC).

Confira a lista: Continue lendo

Travesti eleito vereador em Salvador

Por Franco Adailton – o Francolino

Leo Kret do Brasil quer igualar trajetória do presidente Lula

Prova do descrédito popular, muita vezes incentivado pela mídia, ao qualificar a política e os políticos como “farinha do mesmo saco”, o travesti Leo Kret do Brasil (PR) abocanhou uma vaga na Câmara dos Vereadores de Salvador, ficando em quarto lugar com 12.861 votos. Assim como ele (ou ela), recentemente, o Brasil assistiu a eleição de Clodovil Fernandes para a Câmara dos Deputados, deixando os que ainda acreditam na política perplexos.

Saída do bairro de Pernambués, Leo Kret ficou popular com o grupo de pagode Saiddy Bamba, onde atua como dançarina. Ela, que afirma querer ser “presidenta” do Brasil, fez campanha a maior parte do tempo ao lado do candidato “democrata” ACM Neto, que ficou pelo caminho.

Não tive oportunidade de assistir nenhum dos seus comícios, mas, acompanhando pela mídia, pude ver que os argumentos de Leo Kret, para justificar sua candidatura, eram bem convincentes: pão e circo para o povo. Jogava para a torcida, rebolando mais do que as mulheres ali presentes. Surpreendente o resultado? Pode ser que sim, mas, do jeito que as coisas estão, era de se esperar.

A questão não é a capacidade (ou falta dela) de Leo Kret ocupar um cargo na Câmara de Salvador, mesmo porque, no Brasil, analfabetos votam e são eleitos para o executivo. Se trata da falta de um projeto político sério, atuante, que realmente represente os interesses públicos. Mas, como disse Gilberto Gil, certa feita, “o povo sabe o que quer, mas também quer o que não sabe”.

Como as eleições, para alguns, ainda são encaradas como uma loteria e, às vezes, parece uma gincana escolar, em clima de “ôba-ôba”, Leo Kret “jogou o barro” (arriscou, como se diz aqui na Bahia) para ver se grudava. E grudou. Tanto que ficou famosa e rendeu matéria no Terra Magazine, além de outros veículos Brasil afora. Basta dar uma procurada pelo Google.

Nada contra a opção sexual de Leo Kret (longe de mim!), afinal, a democracia prega o princípio da diversidade. Porém, assim como as letras da maioria dos “pagodões” aqui da Bahia, que não têm o mínimo de conteúdo que seja aproveitado, com Leo Kret, não será diferente. Sua eleição, em analogia à análises feitas por cientistas políticos, em relação à de Clodovil, se caracteriza como o “voto de protesto”. E que protesto.

Agora, é esperar para ver…para legislar, Leo Kret vai ter que rebolar e, se depender disso, seu mandato vai ser um sucesso.

Leia entrevista no Terra Magazine