Bicheiro Alfredo Mangueira renuncia à presidência da Câmara Municipal de Salvador

Do ATarde Online
Por Patrícia França

Fernando Vivas
Foto: Fernando Vivas

Durou exatos oito dias a gestão do vereador Alfredo Mangueira (PMDB) na presidência da Câmara Municipal de Salvador. Mangueira nunca escondeu sua ligação com a Paratodos, controladora do jogo do bicho na Bahia. Eleito pela maioria da Casa, com 28 dos 41 vereadores, o peemedebista renunciou, nesta sexta-feira, 9 , à tarde, ao cargo, fato inédito na mais antiga Casa Legislativa do País, prestes a completar 460 anos no dia 29 de março. No comunicado de apenas cinco linhas, encaminhado ao final da reunião fechada de cerca de três horas com a nova mesa diretora, Mangueira atribui a decisão a “razões de cunho familiar”. Sem maiores explicações.

Com a renúncia de Mangueira, assume a presidência o 1º vice-presidente, vereador Paulo Magalhães (DEM), que ficará no cargo por 30 dias até a convocação de uma nova eleição para escolha do presidente. Coube ao chefe de gabinete de Mangueira, o ex-vereador Wanete Carvalho, a tarefa de tentar explicar a decisão do vereador que, segundo ele, viajara com a família, na mesma sexta-feira, sem revelar o destino.

“As razões [da renúncia] são estritamente familiares e queria pedir a compreensão de todos”, dizia um constrangido Wanete, no seu último ato na chefia de gabinete de Mangueira.

SUPEREXPOSIÇÃO – A renúncia de Alfredo Mangueira não só pegou de surpresa vereadores, dirigentes partidários e funcionários da Câmara, como levantou uma série de hipóteses para decisão tão radical. Ainda que não declarada abertamente, todos concordavam num ponto: a superexposição a que Mangueira foi submetido pela mídia, nos últimos dias, fragilizou as relações que a contravenção estabeleceu, tanto no campo institucional como na política, para se manter.

Nos corredores da Câmara, nesta sexta, comentava-se até que a desenvoltura de Alfredo Mangueira estaria incomodando não só a cúpula do jogo do bicho na Bahia, como os banqueiros cariocas, os quais ainda manteria influência sobre a organização na Bahia.

Fato é que Mangueira chegou à presidência da Câmara não como candidato da preferência do PMDB, mas porque, pela rede de ligações que estabeleceu, acabou maior que o partido do ministro da Integração, Geddel Vieira Lima. Preocupado com a “vulnerabilidade” do vereador, por conta dos seus negócios com o bicho, a direção do PMDB chegou a chamar Mangueira para uma conversa. O peemedebista, porém, teria afirmado que estava afastado dos negócios da banca.

Nos bastidores, o líder do governo, Sandoval Guimarães (PMDB), fez campanha aberta contra a candidatura de Mangueira, e chegou a alertar, em pronunciamento feito da Tribuna da Casa, que a renovação de 50% dos vereadores, imposta pelas urnas, exigia da Câmara uma “presidência que defendesse os preceitos éticos, transparentes e da moralização”.

Sandoval, que nesta sexta fez questão de elogiar Mangueira, dizia-se surpreso com a renúncia do colega de partido. Indagado, não soube informar se a decisão de deixar a presidência da Câmara teria ligação com o jogo do bicho. Informou, apenas, que já havia solicitado uma reunião da bancada de vereadores do PMDB com o presidente do partido, Lúcio Vieira Lima. O PMDB vai brigar para manter a presidência – interinamente ocupada pelo DEM – alegando ser a maior bancada. O PT também tem seis vereadores. O vereador Palhinha (PSB), um dos que correram para a Câmara assim que a notícia se espalhou, era só lamento. “A gente não esperava decisão repentina, mas família é coisa muito sublime”. O vereador Bomba (PRP) soube pelos sites. “O projeto dele para Câmara ia ser bom”.

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Polícia Federal prende desembargadores e um juiz no Espírito Santo

Da Agência Brasil
Por Ana Luiza Zenker

Brasília – Sete pessoas, entre elas o presidente do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, Frederico Guilherme Pimentel, e dois desembargadores, Eupídio José Duque e um segundo que não foi identificado, foram presas pela Polícia Federal no Espírito Santo, em cumprimento a mandados de prisão expedidos pela ministra Laurita Vaz, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Ela é relatora do inquérito que investiga o envolvimento de desembargadores, um juiz, advogados e uma servidora pública em crimes contra a administração pública e a Justiça. A ministra também expediu 24 mandados de busca e apreensão. Continue lendo

Cultura da impunidade: o Judiciário é o câncer do Brasil

Por Franco Adailton – o Francolino

Estarreceu-me essa semana (ainda não perdi a capacidade de me surpreender) a notícia da absolvição do promotor Thales Ferri Schoedl, acusado de assassinar a tiros o jovem Diego Modanes, de apenas 20 anos, no litoral de São paulo, por motivo torpe (como eles mesmos dizem), alegando legítima defesa.

Por unanimidade, todos os 23 desembargadores do Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo votaram pela inocência do réu-colega. Confirmando a teoria de Nelson Rodrigues de que “toda unanimidade é burra”. Mas de boba essa Corte (quadrilha!) não tem nada. Se são eles que brincam com as leis do país!

Aqui, o mau exemplo vem de cima! A começar pelos políticos, passando pela justiça, executada pela polícia. O promotor Thales Ferri não é o primeiro, tampouco será o último magistrado a cometer atrocidades. Ou já  esqueceram do juiz Pedro Percy Barbosa que, traiçoeiramente, atirou na nuca de um vigilante, no exercício do trabalho, em Sobral, no Ceará? Continue lendo

Wagner propõe membros do Executivo fora do 2ºturno

Do Terra Magazine
Por Bob Fernandes

"Ou apenas os candidatos e seus partidos conduzem as campanhas e os vários niveis do Executivo, os representantes do Executivo, não sobem no palanque, ou sobe todo mundo"

Jaques Wagner:

Na política nada é impossível e não existe o impensável. Alguém imaginaria o presidente Lula e o governador da Bahia, Jaques Wagner, torcendo para que o deputado ACM Neto fosse para o segundo turno? ACM Neto, aquele que bradava e espumava nas CPIs pré-2006 e que ameaçou “bater” no presidente da República. ACM, o deputado a quem Lula chamou de “o naniquinho”. Pois é, Lula e Wagner jamais dirão isso de público, negarão se preciso for, mas certamente torceram para que ontem o adversário, herdeiro do carlismo, chegasse ao segundo turno.

ACM Neto ficou para trás e o candidato do PT, Walter Pinheiro (30,06%), enfrentará o atual prefeito, João Henrique, do PMDB (30,97%). A derrota de ACM Neto e a vitória do João Henrique criam uma problemaço. Para Wagner, e para Lula.

Onde se lê João Henrique, leia-se Geddel Vieira Lima, ministro da Integração Nacional, do PMDB, da base de sustentação do governo Lula e também do governo Jaques Wagner. E agora, como será?

A Bahia viverá, como d’hábito, uma guerra. Como evitar que as batalhas do segundo turno soteropolitano estraçalhem a aliança no plano regional e infeccionem a dobradinha nacional PT-PMDB com a qual Lula trabalha para 2010?

Mal cerradas as urnas, ainda em meio às comemorações pelo feito de ver chegar ao segundo turno um candidato, Pinheiro, que deu a largada com 3% das intenções de voto e também por outros bons resultados no Estado, o governador Jaques Wagner propõe:

(…) Ou apenas os candidatos e seus partidos conduzem as campanhas e os vários níveis do Executivo, os representantes do Executivo, não sobem no palanque, ou sobe todo mundo. (…) Ou ficamos todos nós de fora ou entrarão todos, e não apenas eu e o ministro Geddel. Ou não entrariam na campanha nem o governador nem o ministro, ou entraríamos todos…

Nos casos onde PT e PMDB disputam, o que faria o presidente Lula?

Proposta de Jaques Wagner:

Ele não entra, mas, independente disso, se optar por manter sua base mais distante dos palanques, deve dizer aos ministros que também não entrem. Aí não entraria ninguém, só os candidatos e os partidos.

A seguir, os principais trechos da conversa com o governador da Bahia. Continue lendo

Eleições 2008, Salvador: Os dez vereadores mais votados da capital

Do ATarde Online
Por Fernanda Santa Rosa

Dentre os dez vereadores mais votados para a Câmara Municipal de Salvador, com 99% das urnas apuradas, mais da metade é de nomes já conhecidos dos soteropolitanos. Seis já ocupam cadeiras no Legislativo Municipal, como Alan Sanches, do PMDB, o número um nas urnas, com o total de 15.207 votos, o que representa 01,17% dos votos válidos.

Alan Sanches, 37 anos e pai de três filhos, disputou sua primeira eleição em 2004 sendo eleito com 7.427 votos. O segundo e terceiro com maior número de votos também são atuais vereadores. Respectivamente, Sidelvan Nóbrega, 42 anos e o radialista e pastor evangélico Isnard Araújo (PR), de 46 anos. O primeiro abocanhou 13.915 votos, ficando com 1,07% dos votos válidos e o segundo, faturou 13.887 votos, 1,07% dos válidos.

Surpresa – Uma das grandes surpresas das eleições municipais 2008 ficou por conta da aprovação da dançarina de pagode Léo Kret (DEM), a primeira vereadora travesti da Bahia, aprovada em 4º lugar, com 12.861 votos e 0,99% dos votos válidos. “Represento o povo, os artistas e os jovens”, declarou a recém-eleita vereadora. Uma mulher ocupou o quinto lugar entre os mais votados (12.551 votos). Tia Eron (DEM), 32 anos, que tem forte apelo entre os eleitores evangélicos, segue para o seu terceiro mandato consecutivo. Viúva, mãe de dois filhos, Tia Eron não se mostrou surpresa com o resultado.

“Nada resiste ao trabalho, mas liderar é difícil sem ter o governo do Estado ou a prefeitura ao lado”, afirmou, ao ser informada do número de votos. Tia Eron ganhou popularidade pelo seu trabalho à frente da Escola Bíblica Infantil. Em 2000, assumiu o primeiro mandato como a vereadora mais bem votada do PFL.

O resultado, entretanto, não é definitivo porque depende do cálculo da proporcionalidade, levando em consideração a quantidade de votos que recebeu o partido e o número de votos de cada candidato. Os outros cinco candidatos mais votados foram Alfredo Mangueira (PMDB), Carballal (PT), Andrea Mendonça (DEM), David Rios (PTB) e Adriano Meireles (PSC).

Confira a lista: Continue lendo

O Globo: No Rio, Gabeira surpreende e se garante no 2º turno

Da Redação O Globo

Eleições no Rio: Paes e Gabeira vão ao 2º turno

RIO – Os candidatos Eduardo Paes (PMDB) e Fernando Gabeira (PV) disputarão o segundo turno das eleições no Rio, no dia 26 de outubro. Com 99,93% das urnas apuradas, Eduardo Paes tinha 31,99% dos votos (1.048.416), contra 25,62% (839.662) de Gabeira e 19,06% (624.626) de Marcelo Crivella (PRB). Crivella – que iniciou a campanha na frente nas pesquisas – ficou seis pontos percentuais atrás de Gabeira.

A pesquisa de boca-de-urna feita pelo Ibope, divulgada logo após o encerramento da votação, já indicava que Paes e Gabeira disputariam o segundo turno. Paes apareceu na boca-de-urna com 33%, seguido por Gabeira, com 23%. Crivella teve 20%.

Em seu comitê eleitoral, no Recreio dos Bandeirantes, Paes disse à noite que recebeu com alegria o resultado e que não quer a presença do prefeito Cesar Maia em seu palanque no segundo turno.

– Vou procurar uma série de forças políticas, mas certamente o prefeito não será uma delas – afirmou.

Ele agradeceu os votos recebidos e afirmou que a população entendeu a mensagem que transmitiu na campanha.

Gabeira buscará apoio na sociedade

Após ter a confirmação de que estava no segundo turno, batendo Crivella, Gabeira disse em entrevista que vai tentar formar um amplo apoio na sociedade para solucionar os problemas da cidade .

– A minha avaliação é de que foi uma vitória do povo do Rio de Janeiro. A gente andando pelas ruas, conversando com a população, percebeu que ela decidiu esse caminho e ao decidir esse caminho ela influenciou de uma maneira muito decisiva os novos passos – afirmou.

Crivella duvidou da pesquisa

Crivella acompanhou a apuração dos votos de seu apartamento na Barra da Tijuca e não falou com a imprensa. Por meio de uma notalida por um de seus assessores, o senador disse que “amargura” a derrota, mas que mantém força para enfrentar o resultado negativo. “Que Deus ilumine nossos caminhos e abençoe nosso povo”, escreveu, ao reconhecer a derrota.

No começo da noite, quando só a pesquisa de boca-de-urna tinha sido divulgada, Crivella afirmou, ao chegar à sua residência, que fez um levantamento por meio de sua militância e que teria de 100 a 150 mil votos de vantagem sobre Gabeira:

– Nossa boca-de-urna mostra exatamente o contrário (da boca-de-urna). Estou com certeza de que iremos para o segundo turno. Minha militância também fez boca-de-urna e nós estamos com uma diferença boa, de 100 a 150 mil votos. E ainda vamos nos aproximar do Eduardo porque hoje choveu muito.

Antes de chegar a seu apartamento, Crivella chegou a dirigir o próprio carro de campanha a partir da Rua Luiz Coutinho Cavalcânti, em Guadalupe, e cometeu diversas infrações de trânsito. O senador avançou cerca de cinco sinais fechados, vários deles na Rua Edgard Werneck, em Jacarepaguá, além de subir a calçada da Rua Carolina Machado, em Marechal Hermes, para cortar caminho. Na Rua Xavier Curado, ele parou em cima da faixa de pedestres e cortou um caminhão pela contramão.

Jandira ataca voto útil, e Molon vê PT renovado

A candidata Jandira Feghali (PCdoB) divulgou nota agradecendo os votos recebidos e criticando o voto útil anti-Crivella. Ela atribuiu o voto útil “à parcialidade da mídia que artificialmente” o produziu. Alessandro Molon (PT), também por um comunicado , afirmou que o seu partido sai renovado e revigorado das eleições.

Chico: apoio a Paes é impensável

O candidato Chico Alencar (PSOL) disse que as eleições foram as “mais despolitizadas” que já viu. Segundo Chico, o apoio a Paes no segundo turno é impensável. Já a adesão à campanha de Gabeira é pouco provável:

– Tínhamos boa relação na Câmara, somos amigos, mas pesam contra ele (Gabeira) as alianças que fez – afirmou.

Jornal ATarde Online, Salvador: Eleições 2008

Do ATarde Online

Acompanhe aqui a apuração dos votos para a prefeitura de Salvador. Veja também: Cientista político, Paulo Fábio, fala sobre as eleições 2008, na Bahia, e avalia as mudanças no cenário político local. Assista.