Estatística da desigualdade

Do ATarde Online
Por Maurício Sotto Maior

Aos 86 anos, seu Manoel Calixto se mantém na base da batalha diária com a venda de cocos
Aos 86 anos, seu Manoel Calixto se mantém na base da batalha diária com a venda de cocos

Quando seu Manoel Calixto começou a trabalhar, lá nos idos de 1930, a cidade de Salvador mal chegava ao bairro de Amaralina. Toda aquela região era formada por uma fazenda, onde a limpeza das cocheiras e dos cavalos lhe rendia 20 mil contos de réis. “Era muito dinheiro para um menino de 9 anos”, relembra. Hoje, aos 86 anos, Manoel Calixto do Espírito Santo vende água de coco bem em frente ao Largo de Amaralina, no lugar onde sempre morou. Apesar da aposentadoria compulsória, nem pensa em parar de trabalhar: “Só tive carteira assinada durante os cinco anos que trabalhei na construção civil, mas não reclamo. Criei meus seis filhos e, enquanto puder andar, estarei aqui”.

A história de seu Calixto ilustra bem a situação dos negros no mercado de trabalho. Segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Salvador (PED/RMS), uma iniciativa do governo do Estado da Bahia que envolve as secretarias do Planejamento, Trabalho, Dieese , Ufba e a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), o negro entra mais cedo no mercado de trabalho e sai muito mais tarde que os não-negros. A pesquisa vai mais longe. Em 2007, a população economicamente ativa negra somava 1.574 milhão de pessoas, porém, 356 mil delas engrossam os contingentes de desempregados. Continue lendo

Aumenta distância entre brancos e negros no acesso à educação

Da Agência Brasil

Por Flávia Villela

As desigualdades sociais se agravaram entre brancos e negros na última década. É o que mostra a análise da Sínteses de Índices Sociais, baseada em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2007. O estudo foi divulgado hoje (24) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A taxa de freqüência das pessoas de cor preta e parda às instituições de ensino superior não alcançou, em 2007, o patamar que os brancos tinham dez anos antes. A diferença a favor dos brancos, em vez de diminuir, aumentou nesse período: em 1997, era 9,6 pontos percentuais aos 21 anos de idade, enquanto em 2007 esta diferença saltou para 15,8 pontos percentuais.

O pesquisador do IBGE José Luís Petruccelli recordou que, embora o número de pessoas que se consideram negras ou pardas represente quase metade da população, esse índice não se reflete no acesso aos bens e serviços na sociedade brasileira.

Ele acredita que os programas sociais e as políticas de cotas para diminuir as desigualdades raciais não têm surtido efeito. “O dado revela que a desigualdade em termos de apropriação de usufruto de um bem escasso, como é o ensino universitário, está sendo cada vez maior, com vantagens por parte dos brancos sobre os grupos de pretos e pardos”.

Em 1997, um a cada dez brancos (9,6%) tinha nível superior completo. Essa proporção era de um para cada 50 (2,2%) entre os de cor preta e parda. Em 2007, esses percentuais são de 13,4% e 4% respectivamente. “O hiato entre os dois grupos também aumentou, pois era de 7,4 pontos percentuais em 1997 e passou para 9,4 pontos percentuais em 2007”, revelou Petruccelli.