Caos: crise americana provoca efeito dominó nas bolsas do mundo

Crise é maior do que o esperado, diz economista

Do Terra Magazine
Por Diego Salmen

O expediente na Bolsa de Valores de São Paulo hoje foi interrompido duas vezes

O expediente na Bolsa de Valores de São Paulo hoje foi interrompido duas vezes

A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) paralisou seu pregão nesta segunda-feira por duas vezes – depois de registrar quedas de 10% e 15%, respectivamente. É a terceira vez em uma semana que a Bolsa pára suas atividades por conta dos reflexos da crise na economia mundial.

Para o professor de economia José Luis Oreiro, da UnB (Universidade de Brasília), a contínua instabilidade verificada nos mercados do Brasil e do mundo é um sinal de que a crise está se mostrando “maior do que o esperado”.

– Os bancos europeus estão começando a mostrar bastante dificuldade, com uma série de operações de salvamento sendo realizadas nos países europeus – explica.

Em entrevista a Terra Magazine, Oreiro prevê que nos próximos meses o pacote de ajuda econômica de US$ 700 bilhões, aprovado na última sexta-feira pelo Congresso norte-americano, mostrar-se-á “insuficiente”. Ele defende a implementação de medidas de controle de capitais para evitar que a especulação afete a economia brasileira

– O que se está verificando é que uma recessão mundial será inevitável – prevê o economista.

José Luis Oreiro também sugere a criação coordenada de programas de investimento nas economias dos Estados Unidos e dos países europeus. “Uma política keynesiana de gastos públicos”, diz, em referência ao economista britânico John Maynard Keynes, um dos principais defensores do papel regulatório do Estado nas economias capitalistas.

Leia a seguir a entrevista com o professor da UnB:

Terra Magazine – Por que há tanta oscilação nas bolsas?
José Luis Oreiro – A crise financeira está se mostrando maior do que o esperado. Os bancos europeus estão começando a mostrar bastante dificuldade, com uma série de operações de salvamento sendo realizadas nos países europeus. Por se mostrar maior, o que se está verificando é que uma recessão mundial será inevitável. Haverá desacelaração muito forte nos EUA e Europa.

O que vai acabar levando o restante do mundo a rodo…
Vai. Em países como o Brasil, vai haver uma redução do preço das commodities, que por sua vez vai agravar o problema da balança comercial e do déficit em conta corrente, que pode chegar a 4% do PIB em 2009. Também pode haver fuga de capitais. É o que é denominado na literatura economia de flight to quality (vôo para a qualidade), no caso, títulos do Tesouro norte-americano. Nós vamos continuar tendo instabilidade nos próximos meses, mas não dá para dizer até quando. A crise só será reduzida com um plano muito maior de capitalização dos bancos americanos e europeus, que terão que aumentar os gastos do governo para contrabalancear a queda do consumo.

Uma política keynesiana de investimento?
Uma política keynesiana de aumento de gastos publicos. Não basta a capitalização, ela por si só não garante que os bancos vão voltar a emprestar dinheiro. E o ideal é que isso seja feito de maneira coordenada pelos governos da Europa e dos Estados Unidos.

Nesse sentido, o quão suficiente é o pacote de ajuda econômica aprovado pelo Congresso norte-americano na semana passada?
Ele vai se mostrar insuficiente nos próximos meses. Só de hipotecas nos EUA temos US$ 13 trilhões. O pacote prevê US$ 700 bilhões de ajuda. Se 30% das hipotecas forem “podres”, ainda assim falta muito. O que nós também vamos ver é um agravamento da crise financeira na Europa.

O Brasil deveria aproveitar o momento para implementar algum tipo de controle de fluxo de capitais?
Eu sou um dos defensores disso. Defendo o controle da saída de capitais. Tem que haver um alinhamento ordeiro do câmbio.

Mas isso não pode afugentar investidores?

Isso é besteira. Tem dois tipos de capitais: primeiro, o de portfólio, que entra no país para aproveitar a taxa de juros. Num momento de pânico, esse capital cai fora. Segundo: investimento estrangeiro direto, que não é afetado pelo controle de capitais porque é um investimento de longo prazo, e porque remessa de lucros para o exterior não entra para a contabilidade do controle de capitais. O balanço de pagamentos da economia tem duas contas: a de transações correntes e a de capitais. Segundo as regras da OMC (Organização Mundial do Comércio), você não pode fazer controle na balança de transações correntes, mas nada impede que se faça na balança de capitais. Não tem nenhum motivo para esse controle afetar os investimentos.

Veja também no Terra Magazine:
Pânico nos EUA com crise é comparável ao 11/09

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