Você acredita nas pesquisas? Eu não.

Por Franco Adailton – o Francolino

Então você certamente deve acreditar no Saci Pererê, na Mula-sem-cabeça,  no coelhinho da Páscoa ou em Papai Noel. Agora, diga-me…alguma vez, você foi entrevistado por algum instituto de pesquisa? Porque eu nunca fui. E, confesso, gostaria muito. Somente para saber se elas existem, só por curiosidade.

A questão é o grau de credibilidade que essas pesquisas conferem. É verdade que, segundo dizem, o Datafolha é um dos institutos mais confiáveis. Por outro lado, o Ibope, pelo menos aqui na Bahia, está com a imagem abalada. Sobretudo depois da eleição do governador Jacques Wagner, quando as pesquisas apontavam vitória certa do candidato carlista, Paulo Souto, no primeiro turno. E ocorreu o contrário.

Faltando três dias para o pleito eleitoral, as últimas pesquisas acirraram os ânimos dos candidatos e dos eleitores em Salvador. Para o Ibope, ACM Neto se mantém na dianteira, com 28% das intenções de voto. Seguido por João Henrique (PMDB) e Walter Pinheiro (PT), ambos com 20%. O primeiro registrou aumento de 6%. Já o petista subiu 4%, comparados à última pesquisa.

Na pesquisa Datafolha, em primeiro aparece o atual prefeito, João Henrique, com 25%, 8% a mais, em relação ao último levantamento feito pelo instituto. Atrás dele, vem ACM Neto com 24 pontos. Em terceiro, desponta Pinheiro, que passou de 13% para 22% das intenções de voto. Tecnicamente, o pleito está empatado, uma vez que a margem de erro é de 3%.

Assim não dá. Desse jeito, o eleitorado acaba ficando confuso. Sabe por quê? Por que, reflita comigo, sem considerar os indecisos, aqueles, cujo a decisão está tomada, acabam por ficar na dúvida.

Não sei já aconteceu com vocês, mas comigo muitas vezes, ouvir nas ruas, no ônibus ou mesmo no trabalho, alguém dizer que desperdiçaria o voto, caso votasse no candidato que está atrás nas pesquisas.

Minha gente, faça-me uma garapa! Onde já se viu? Desperdiçar o voto?! Depois de tantas pessoas perseguidas, torturadas e mortas, pelo direito de, hoje, podermos apertar o botão da urna! Desperdício seria a falta de coerência nas urnas, onde se elege uma bancada babilônica que, posteriormente, venha fazer oposição ao cargo majoritário.

É justamente essa falta de sintonia que favorece a corrupção no país, nas mais destintas instâncias administrativas, facilitando a negociata. Sendo assim, o que se vê, durante quatro anos, é o Brasil virar um imenso balcão de negócios a portas fechadas. Cargos aqui e acolá, favorecimentos em licitações para exploração das contas públicas, e muito mais.

Portanto, é preciso muita sobriedade na hora de exercer o direito pleno da cidadania. Esse é o único momento em que nós, os representados, temos para dar voz a nossa insatisfação. Salvo sob algumas excessões, como cassações e um impeachment. Fora isso, iremos lamentar, por quatro anos, o erro que cometemos. E não existe coisa pior que chorar o leite derramado. Pois, se arrependimento matasse…a gente estava…

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