Pentágono monitora cartunista brasileiro e antiimperialista

Do Fazendo Media

Marcelo Salles

Escrevo porque precisamos repercutir essa vigilância contra o cartunista Carlos Latuff. Seus desenhos têm sido cada vez mais utilizados pelas resistências iraquiana, palestina, zapatista e outras que enfrentam o imperialismo estadunidense. Depois de ser ameaçado de morte por um grupo ligado ao Likud, partido israelense de extrema-direita, agora agentes dos Pentágono e do Departamento de Defesa dos EUA estão monitorando seu blog. Clique aqui para acessá-lo e se inteirar da história.

É compreensível que Carlos Latuff seja uma preocupação para os espiões de Bush. Sua arte está a serviço da luta antiimperialista e seus traços são capazes de mover exércitos. Não é à toa que o agente do Pentágono tenha acessado diretamente uma determinada charge que incentiva os iraquianos a não obedecer às ordens das tropas ianques – o desenho vem sendo espalhado nos muros de Bagdá (veja aqui a imagem ampliada – o título, em árabe, quer dizer algo como “Não seja um cachorro dos ianques”). Sua imagem de Che Guevara com trajes árabes tem sido sistematicamente espalhada pelas ruas da Palestina; um membro do Exército Zapatista de Libertação Nacional o encontrou na UERJ, no Rio, e agradeceu pelas ilustrações exaltando a guerrilha.

Carlos Latuff, desta forma, globaliza a resistência. Exatamente como previram Milton Santos e Dênis de Moraes: se a opressão é globalizada, o enfrentamento só pode ser globalizado. Assim é que o rabisco de um carioca suburbano vai parar no Oriente Médio. Em entrevista concedida ao Fazendo Media, Latuff garante que não vai se deixar abater pelas ameaças. “Eu dei a minha palavra para um palestino que conheci em Ebrom, seu Adris, eu sempre cito isso. O meu compromisso é com os palestinos, eu não estou preocupado com o que vai acontecer comigo. Não vou mudar em nada a minha rotina, o que eu penso, o que eu faço, vou continuar defendendo, seja no tribunal, seja numa entrevista, sempre estarei defendendo o povo palestino. É mais fácil me matarem do que eu mudar de idéia. Agora, uma coisa que eu acho genial é que não faz diferença eu estar vivo ou morto. Porque os meus trabalhos estão espalhados pelo mundo inteiro, eles não dependem da minha existência”. Leia a íntegra da entrevista aqui.

O desprendimento do Latuff é comovente, mas nós podemos fazer alguma coisa para protegê-lo. Divulgar as ameaças para nossas listas de contato. Informar a cada conhecido sobre a mobilização da espionagem ianque contra este artista brasileiro. Esta noite entrei em contato com o diretor da Telesul no Brasil, Beto Almeida, que se interessou em divulgar uma reportagem sobre o assunto. Espera-se também que a TV Educativa do Paraná entre na pauta. Se cada um aqui repercutir nos veículos a que tiver acesso e em seus próprios blogs, com certeza Carlos Latuff estará mais protegido. E a resistência, fortalecida!

"Não seja um cachorro dos ianques", diz o titulo

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