79,6% dos jovens baianos não cursam universidades

Jornal ATarde Online
Donaldson Gomes

Entre os 644 mil estudantes baianos na faixa etária de 18 a 24 anos, 79,6% estão fora de cursos superiores, apesar de estarem em idade considerada própria para a universidade. Destes, 50% ainda cursam o ensino médio (antigo segundo grau), e 20,9% ainda não terminaram sequer ensino fundamental (até a 8ª série). Os dados constam da Síntese de indicadores sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 2008, divulgada ontem, e mostram a Bahia à frente apenas dos Estados de Alagoas (18,2%) e Sergipe (17,7%), com menos da metade da média nacional, que é de 42,8%. A pesquisa mostra ainda que a grande maioria dos jovens, 73,3%, ingressam em cursos superiores através de instituições privadas de ensino e 26,7%, em instituições públicas.

Para a vice-diretora da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia, Iracy Picanço, os números nacionais representam um avanço considerável. A educadora acredita que a colocação da Bahia reflete a realidade. “A Bahia apresenta uma situação desfavorável histórica em relação ao ensino superior”, confirma ela.

O coordenador de disseminação de informações do IBGE na Bahia, Joílson Rodrigues Souza, acredita que a posição do Estado é próxima da realidade do Nordeste, com a diferença de que a Bahia, há até pouco tempo, contava apenas com uma universidade Federal e outras poucas opções de ensino público. “Neste cenário e com uma população de baixo poder aquisitivo para ingressar nas universidades privadas, entende-se o baixo índice de acesso”, comenta o especialista. Em 1996, o índice de estudantes jovens no ensino superior na Bahia era de 8,6%, segundo o IBGE, em um universo de 489 mil pessoas, o que aponta um acréscimo de 11,8% em dez anos. Para Souza, isso demonstra uma tendência de aumento na inclusão de jovens que antes não tinham acesso à universidade. “Enquanto o acesso de brancos dobrou, o número de estudantes negros triplicou nos últimos anos”.

Qualidade – Para o professor da Faculdade de Educação, Nelson Pretto, a grande preocupação do País deve ser com a qualidade da educação para evitar que se repita no ensino superior os erros cometidos na política do ensino médio. “Não podemos repetir o erro de trabalhar o acesso, sem garantir a qualidade”, adverte Pretto, ressaltando que atualmente o país se encontra longe das metas. “Não interessa ter um grande aumento no público do ensino se for assim”, afirma. Para Pretto, é preciso definir critérios rígidos com relação ao ensino à distância. “É mais uma opção de acesso, mas não se pode permitir a abertura dessas instituições de qualquer jeito”.

Negros – No ano passado, a taxa de freqüência (proporção de pessoas que dizem estar indo à universidade) para alunos de 18 a 25 anos na população branca era de 19,4%. Entre a população preta e parda (nomenclatura usada pelo IBGE, que usa como critério a cor por autodeclaração), a taxa era de 6,8%. Os dados mostram que, na faixa de 18 a 25 anos, os estudantes pretos e pardos ainda não alcançaram a taxa de freqüência que brancos tinham em 1997. Na faixa de 21 anos, por exemplo, a freqüência de alunos pretos e pardos era de 2,6% em 1997. No ano passado, subiu para 8,4%. No mesmo período, a população branca ampliou seu índice de 12,2% para 24,2%. Na prática, cresceu a distância em pontos percentuais.

O hiato entre pessoas que já concluíram o ensino superior também aumentou. Em 1997, 9,6% dos brancos e 2,2% dos pretos e pardos tinham nível superior completo. Em 2007, 13,4% e 4%, respectivamente. Em 2007, dos cerca de 14 milhões de analfabetos no país, quase 9 milhões eram pretos ou pardos. Na população branca, era de 6,1% para aqueles com 15 anos ou mais e de 14% para pretos e pardos. “Mesmo 120 anos depois da abolição, o país não consegue colocar 10% da população negra na universidade”, disse Marcelo Paixão, coordenador do Observatório Afro-brasileiro.

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